Patrícia Braga

Patrícia Braga
 

De sorriso tímido e olhos brilhantes, Patrícia Braga recebe-nos de braços abertos no seu universo de pintura que vai para lá da imaginação. As grandes dimensões não a assustam, pelo contrário, e o trabalho que tem vindo a desenvolver em espaços públicos de grande reconhecimento assim o comprova. 

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With a coy smile and bright eyes, Patrícia Braga welcomes us into her universe of painting with open arms, a place that goes beyond our imagination. Large dimensions don’t scare her, on the contrary, and the line of work she’s been developing in well-known public spaces is here to prove it.

 

 
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Formou-se em Cenografia na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e na Fundação Ricardo Espírito Santo, mas acabou por não enveredar por essa área. «Sempre gostei de trabalhos manuais e de tudo o que tivesse a ver com criar, pôr as mãos na massa», conta-nos. Depois do curso, teve conhecimento de um atelier que fazia pinturas de móveis e de murais e arriscou. «Trabalhei lá durante mais ou menos 13 anos. Fazíamos um pouco de tudo: transformação de móveis, restauros, algumas pinturas decorativas de paredes, mas tudo dentro do mais clássico, marmoreados, trompe-l’œil, paisagens».

Mais tarde, chegou a oportunidade de colocar o seu talento à prova num dos restaurantes mais cobiçados de Lisboa, o Beco do Avillez, um espaço que nos transporta para as noites boémias dos cabarés dos anos 20 e dos anos 50, embutido no Bairro do Avillez e acedido apenas através de reserva. Sem bilhete, não se entra no Beco nem se vislumbra a gigantesca pin-up pintada por detrás do bar. «A minha irmã viu que o estúdio ANAHORYALMEIDA estava à procura de uma pessoa que pintasse em grande escala numa parede de tijolo — inicialmente, era para ser mesmo tijolo, mas levou uma base de cimento, pois pareceu-me impossível pintar sobre tijolo, ia esfarelar tudo e deformar o desenho. Dei a ideia de projectar o desenho e passá-lo para depois vir um pedreiro com cimento para tornar a base mais lisa». 

Na altura, visitou o espaço e conheceu também Henriette Arcelin, autora da ilustração da pin-up, que lhe mostrou o desenho original em formato A3 ou algo próximo disso. «Para mim também foi uma descoberta. Já tinha pintado muitas paredes, mas nada com estas dimensões — ainda por cima a partir do desenho de outra pessoa, que é uma responsabilidade acrescida. Não nos podemos dispersar no que estamos a fazer, porque depois, se sair um pouco ao lado, deixa de ser da sua autora». 

She studied Scenography at the Lisbon Theatre and Film School and at the Ricardo Espírito Santo Foundation, but never went that way. «I’ve always enjoyed arts & crafts and everything that had to do with creating, using your hands», she tells us. After her studies, she was told about a studio that did furniture and wall painting and she took a chance. «I worked there for about 13 years. We did a little bit of everything: furniture recycling, restoration, some wall decorative painting, but everything was more on the classical side, marbled effect, trompe-l’œil, landscapes». 

Later, she got the opportunity to put her talent to the test in one of Lisbon’s most coveted restaurants, Beco do Avillez, a space that leads us back to the bohemian nights of the cabarets of the 20s and 50s, located inside Bairro do Avillez and accessed only by booking in advance. With no ticket, there’s no way one gets into Beco or catches a glimpse of the massive pin-up girl painted behind the bar. «My sister saw that ANAHORYALMEIDA studio was looking for someone who did large-scale paintings on a brick wall — at first, it was really supposed to be brick, but it got a concrete layer on top of it, as it seemed quite impossible to be to do it on brick; the drawing would become deformed and the wall would probably peel off. I had the idea of projecting the drawing and then stencil it, so that a mason could make the surface smoother with concrete».

At the time, she visited the space and also met Henriette Arcelin, author of the pin-up illustration, who showed her the original drawing in size A3 or something close to that. «It was a discovery for me, too. I’d already painted a lot of walls, but nothing this big — not only that, but from somebody else’s drawing, which is a greater responsibility. We can’t let our attention wander from what we’re doing, because then, if we miss something, it doesn’t belong to the author anymore».

 
 
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Um trabalho deste calibre requer metodologias, e Patrícia sabe bem como jogar com as ferramentas que tem à sua disposição. Concentração é, contudo, a palavra de ordem. Sempre. «Normalmente, projecto o desenho, apesar de nunca ficarem os traços todos muito bonitos, pois é a partir de um desenho mais pequeno. Tiro também fotocópias a cores de pormenores e mantenho o original ao pé de mim, em cima do andaime. Quando chega o momento de tratar dos pormenores, foco-me num só, mas sempre a pensar que vai ter de ter ligação a outra coisa. Estes traços de ligação têm mesmo de coincidir com outros, porque, às tantas, não posso estar constantemente a descer do andaime para poder ver o processo a uma certa distância, como um pintor em relação a uma tela».

O facto de gostar do trabalho de Henriette também contribui para um resultado fantástico — Henriette é, aliás, a mesma autora de outras pinturas decorativas do Bairro do Avillez, a Varina de muitos metros a perder de vista, e o jacaré envolto por vegetação que podemos ver no restaurante Jacaré no Gourmet Experience do El Corte Inglés, em Lisboa. O processo a quatro mãos faz desta colaboração o sucesso que está à vista de todos. «São precisas duas cabeças para isto. Mas é um enorme desafio para mim. Fiquei tão concentrada nesses dias que até me custava sair daqui ao fim do dia e voltar para casa, para a minha vida, porque só pensava nisto».

No final, a pin-up saiu radiante e cheia de glamour, tal como os outros projectos a que Patrícia se dedica. «Imagine que alguém quer um jardim pintado em casa: primeiro, faço a ilustração — dantes partia logo para o desenho na parede, mas agora não. Mas, quando são meus e vou passá-los para a parede, já não estou tão rígida como acontece com ilustrações de outras pessoas. Eu gosto mesmo é de pintar paredes. O resultado final vale a pena. E imaginarmos que isso vai ser visto por tanta gente também é extraordinário». 

Such complex work entails methodology, and Patrícia knows well how to use the tools at her disposal. Concentration is, however, the key word. Always. «Usually, I project the drawing, though the lines don’t all come out pretty, since I’m doing it from a small drawing. I also get copies of details and keep the original next to me on top of the scaffold. When the time comes to take care of details, I focus just on one, always bearing in mind that it must connect to something else. These connection lines have to really match the others, as I can’t be constantly climbing down the scaffold to be able to see the process from afar, like a painter does with a canvas».

The fact that Patrícia loves Henriette’s work plays a role in an amazing final result — Henriette is actually the same author of other decorative paintings at Bairro do Avillez, the fishmonger of many metres, and the alligator surrounded by vegetation that we can see at the Jacaré restaurant, at the Gourmet Experience floor of El Corte Inglés, in Lisbon. The four-hand process brings this collaboration the success everyone can see. «There’s two heads needed for this. But it’s an enormous challenge for me. I was so focused on those days I had trouble leaving at the end of the day and coming back to my home, to my life, because this was all I could think about».

In the end, the pin-up girl came out gorgeous and glamourous, just like every other project Patrícia puts her mind and hands into. «Picture this: someone wants a garden painted in their home. First, I do the illustration — I used to draw directly on the wall, but not anymore. But, when they’re my own drawings and I get them stencilled on the wall, I’m not as stiff as I feel with other people’s illustrations. What I really like is painting on walls. The final outcome is worth it. And to think that will be seen by so many people is also pretty awesome».

 
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Eu gosto mesmo é de pintar paredes. E imaginarmos que isto vai ser visto por tanta gente também é extraordinário.

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What I really like is to paint on walls. And to think that will be seen by so many people is also pretty awesome.

 

 

 
 

JOURNAL PROUST

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Patrícia Braga

 
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