CLAUS Porto
 

Sabonetes de todos os tamanhos, velas, loções, cremes e perfumes, um universo quase mágico e visualmente deslumbrante. Se mais adjectivos ou características houvesse, mais associaríamos a esta marca que já superou os 130 anos de existência sempre cheia de nobres delicadezas de uma Belle Époque perdida no tempo, mas jamais esquecida. A Claus Porto é tradição e inovação, fragrâncias inesquecíveis e ideias que jorram de um espólio infinito.

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Soaps of all sizes, candles, lotions, creams and colognes, a nearly magical, visually stunning universe. If there were more adjectives or traits, we would definitely attach them to this brand that has already lived for more than 130 years always filled with noble delicacies from a lost-in-time Belle Époque, yet never forgotten. Claus Porto means tradition and innovation, unforgettable fragrances and ideas oozing from an inexhaustible legacy.

 

 
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Foi em 1887 que Ferdinand Claus e Georges Schweder, dois empreendedores alemães, «abriram a primeira fábrica de sabonetes e fragrâncias de Portugal, quem sabe da Península Ibérica, e não Vinho do Porto, que é o que toda a gente fazia. Chamava-se Claus & Schweder», conta-nos Maria João Nogueira Mendes, PR & Communications Manager da Claus Porto, a pessoa ideal para nos contar esta história tão rica e fascinante de uma marca orgulhosamente portuguesa com origens que não essa. Porquê o Porto? «Não sabemos. Apesar de termos registos de tudo, ainda não descortinámos essa parte».

Entretanto, a Claus & Schweder havia contratado um contabilista/guarda-livros de nome Achilles de Brito, e confiavam tanto nele que, a certa altura, já lhe tinham dado uma pequena porção da sociedade. Quando Claus foi obrigado a sair de Portugal, porque «estava do lado errado da guerra», a empresa foi nacionalizada e ficou abandonada durante alguns anos, até que Achilles de Brito comprou o que restava da mesma em 1925, depois de criar o seu próprio negócio, Ach. Brito. «Ele teve uma visão, que eu acho incrível para a época, que foi perceber que tinha ali duas empresas com ADN diferente e, em vez de absorver uma para debaixo da outra, nomeadamente a Ach. Brito, que seria o mais fácil, teve a presença de espírito de marketeer — na altura, claro que não se chamava assim — de entender que a sua empresa seria mais virada para o mercado nacional e mais acessível e que a Claus & Schweder — que lenta e organicamente se transformou em Claus Porto — seria mais virada para o exterior e com um posicionamento mais exclusivo. Então, manteve as duas».

Enquanto conversamos, Maria João mostra-nos as fotografias, diplomas e livros dispostos num pequeno recanto da loja na Rua da Misericórdia, em Lisboa, a primeira em nome próprio da Claus Porto. «Até 2015, a empresa continuava nas mãos da família de Achilles de Brito, que havia já sido abordada inúmeras vezes por imensas pessoas que lhes fizeram as propostas mais loucas. A empresa sobreviveu a guerras, revoluções, tudo, mas a década de 90 foi a mais complicada por causa do aparecimento da grande distribuição, dos hipermercados, da CEE, das marcas brancas e, claro, do sabonete líquido. Para uma empresa que fazia sabonetes sólidos foi um grande retrocesso, ainda por cima estando num mercado como Portugal, que sempre foi muito permeável a tudo o que vem de fora, o que acaba por ser uma vantagem que, a certa altura, passou a deslumbramento ao ponto de quase se virar contra nós. Agora não, pois estamos a começar a perceber o que temos de bom», conta Maria João.

It was in 1887 that Ferdinand Claus and Georges Schweder, two German businessmen, «opened the first soap and fragrances factory in Portugal, perhaps the Iberian Peninsula, and not Port Wine, since that was what everyone was doing back then. It was called Claus & Schweder», Maria João Nogueira Mendes says, PR & Communications Manager at Claus Porto, the perfect person to tell us this rich, fascinating tale about a proudly Portuguese brand with foreign origins. Why Porto? «We don’t know. Although we keep records of everything, that part’s still a mystery to us».

Meanwhile, Claus & Schweder had hired an accountant/bookkeeper by the name of Achilles de Brito, and they trusted him so much that, at a certain stage, they’ve already given him a small portion of the society. When Claus was forced to leave Portugal, as he «was on the wrong side of the war», the company was nationalised and was kept abandoned for a number of years, up until Achilles de Brito bought what remained of it in 1925, after starting his own business, Ach. Brito. «He had a vision, which I find amazing at that time, that was realising that he had two companies in front of him with a different DNA and, instead of letting it go under one another, namely Ach. Brito, which would be the easier way out, had the presence of mind of a marketeer — it wasn’t called this back then, of course — of understanding that his company would be more dedicated to the Portuguese market and more accessible, and that Claus & Schweder — which slowly and organically transformed into Claus Porto — would have a more exclusive position in the international market. He kept both».

 While we chat, Maria João’s showing us pictures, diplomas and books that are displayed in a small corner of the store located in Rua da Misericórdia, in Lisbon, Claus Porto’s first store. «Until 2015, the company was still with the Achilles de Brito family, which had already been given a number of crazy propositions. It survived wars, revolutions, everything, but the 90s were the hardest decade because of the rise of large-scale distribution, superstores, the EEC, white labels and of course the liquid soap. For a company that made solid soaps, it was a big setback, without forgetting we’re in a market like Portugal, which was always extremely pervious to what comes from abroad, ending up being an advantage which, at a certain point, became such wonderment that it almost turned against us. Not today, as we’re starting to realise what we have is great», Maria João tells us.

 
 
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A proposta aceite foi a do fundo de investimento português que viram potencial na empresa, mas que apresentaram duas condições vitais: que Aquiles de Brito ficasse na empresa — o nome acabou por perder a ortografia antiga — e que se respeitasse ao máximo o ADN e a tradição da marca, ainda que houvesse lugar para ir mais longe. «Foi esse investimento que possibilitou a abertura da loja em Lisboa em 2016 e, no ano a seguir, a loja do Porto. Em 2018, chegou a vez de uma loja em Nova Iorque». Por questões alheias à vontade da própria empresa, a loja do Porto, que não deixa de ser a flagship store da Claus Porto, abriu depois da loja em Lisboa.

«É a casa da Claus Porto onde temos museu, galeria de design, workshops, experiências e onde a marca pode ser vivida no seu todo». Tanto um espaço como o outro resultou da obra do arquitecto João Mendes Ribeiro, sem esquecermos a mão útil de Joana Astolfi, que tratou de fazer a sua curadoria de objectos antiquíssimos da marca que mostram o espólio vasto da mesma e nos relembram da significância da Claus Porto nas nossas vidas e nas vidas das nossas mães, avós e bisavós. Gerações que abraçaram as marcas e produtos de invejável qualidade que daqui saíram e que ainda hoje recebem o cuidado e a mestria que lhes era reconhecida na altura. «Tudo o que vê aqui é embalado à mão ainda. Temos pessoas na fábrica que trabalham connosco há mais de quatro gerações, pessoas que nasceram na fábrica, até».

Um dos atributos que mais chamam a atenção é a miríade de grafismos distintos que proliferam nas diferentes colecções da Claus Porto e que manifestamente se apresentam aos nossos olhos nas montras antigas de madeira e que parecem ter vida própria. Antigamente, os logótipos eram criados por desenhadores que os concebiam à mão com toda a liberdade que lhes era permitida, ou seja, toda. «Se for ver com atenção, o nome Claus Porto de cada sabonete, por exemplo, está escrito de maneira diferente, porque não havia essa noção de “logótipo”. Eles escreviam o nome Claus Porto conforme lhes apetecia e achavam que ficava bem com a estética do resto do desenho».

Tudo o que vemos a acontecer na Claus Porto será, portanto, uma reinvenção do que outrora foi bem-sucedido ou não, do que foi criado com a vontade de quem empunhava essa função, um acordar de pormenores dormentes que merecem ver a luz do dia e emparelhar-se com fragrâncias que enchem as nossas casas e os nossos corações.

 

 

The accepted proposition came from the Portuguese investment fund that saw potential in the company, while presenting two vital conditions: that Aquiles de Brito would stay in the company — the name ended up losing its initial spelling — and that the brand’s DNA and tradition would be respected, even though there was still room for improvement. «That investment allowed for the opening of a store in Lisbon in 2016 and the year after in Porto. In 2018, it was time to open a store in New York City». For reasons that go beyond their desire, the Porto store, which is Claus Porto flagship store, opened after the Lisbon store.

«It’s the home of Claus Porto and where we have the museum, design gallery, workshops, experiences and where the brand can be lived as a whole». Both spaces are a result of the dedication of architect João Mendes Ribeiro, but let’s not forget about Joana Astolfi, who curated some of the window displays with age-old, vintage objects from the brand that showcase its vast legacy and remind us of the significance of Claus Porto in our lives and the lives of our mothers, grandmothers and great-grandmothers. Generations who opened their arms to brands and products of prime quality that came out of the factory, and that still today get the care and the craftsmanship of olden times. «Everything you see here was hand-wrapped. We have people in the factory who have been with us for more than four generations, people who were born there, even».

One of the brand’s peculiarities that causes a stir is the plethora of distinct graphics that thrive on Claus Porto’s different collections, which overtly show themselves from within the wooden shelves and seem to gain a life of their own. Back then, logos were created by draughtsmen who did it all by hand with the freedom they were allowed to, that is, all of it. «If you see this carefully, the name Claus Porto in every soap, for example, is written in a different way, because there wasn’t such a concept. They’d write the name Claus Porto as they wished to or thought it went along with the appearance of the rest of the drawing».

Everything we see happening in Claus Porto is, therefore, a reinvention of what used to be successful or not, of what was created with the willingness of those who stood with that role, an awakening of dormant details that deserve to see the light of day and pair up with scents that fill our homes and our hearts.

 
 
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Tudo o que vê aqui é embalado à mão ainda. Temos pessoas na fábrica que trabalham connosco há mais de quatro gerações, pessoas que nasceram na fábrica, até.

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Everything you see here was hand-wrapped. We have people in the factory who have been with us for more than four generations, people who were born there, even.

 

 

 
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