OLAIO
 

Se renascer é a palavra de ordem, deixemos a fénix subir aos céus de braços bem abertos para desbravar caminho para uma das marcas mais acarinhadas pelos portugueses e que mais presença marcou nas nossas casas entre os anos 30 e os anos 80: a OLAIO. Não é à toa que as nossas afirmações quase se revestem de declaração de amor a estas peças únicas e intemporais, pois a nostalgia deu lugar à reconquista do mercado, e não podíamos estar mais entusiasmados.

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If rising is the watchword, let the phoenix rise up to the skies with its wings wide open to make way for one of the most cherished brands in Portugal, and the one to show the flag in our homes between the 30s and the 80s: OLAIO. It’s no accident that our statements are almost dressed up in love letters to these unique, timeless pieces, since nostalgia gave way to recapturing the market, and we couldn’t be more excited.

 

 
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Noutros tempos, era normal ver mobiliário com o carimbo OLAIO em repartições, hospitais e postos de correio. Pelas salas de jantar dos nossos avós com certeza que passou um conjunto inimitável de mesa e cadeiras Caravela de uma qualidade tremenda e um design que não passa de moda. Nascida em 1886 pelas mãos de Zé Olaio, poucos adivinhariam que este legado iria chegar aos nossos dias, muito menos com este aparato tão bem-sucedido. «O meu bisavô fundou a OLAIO. Depois apareceu o meu avô e o meu tio-avô, que eventualmente se tornaram sócios — o meu tio-avô era mais velho que o meu avô cerca de 11 ou 12 anos. Primeiro fez-se sócio com o meu bisavô e, mais tarde, quando este já estava um pouco mais velho, fez com o meu avô. Quando já estavam com a sociedade feita, o meu bisavô faleceu», começa por contar João Pedro Olaio, bisneto do fundador e parte integrante deste novo fôlego da OLAIO que chegou em 2016 com a entrada de Renata Vieira.

Se hoje o espaço que serve de escritório e de showroom (visitas apenas por marcação) está instalado no Bairro Alto, é certo que nos lembremos de um regresso às origens, já que a OLAIO começou «na Rua da Atalaia, na altura era um quarteirão inteiro, uma fábrica muito pequena”, conta João. Algures nos anos 50, já o tio-avô e o avô de João estavam no comando da marca quando decidiram fazer um «projecto arrojado em Sacavém e construir uma fábrica que era praticamente um parque industrial enorme do tamanho de quatro campos de futebol. Depois começaram a produzir tudo com maquinaria que iam buscar lá fora e para as quais tinham de ter licença do Governo, isto antes do 25 de Abril».

Segundo Renata, este empreendimento coincide com uma mudança grande na marca que foi deixar de ter o fabrico peça a peça para passar a ter um fabrico em série. «Há aqui uma charneira significativa na visibilidade e no impacto que a OLAIO teve na sociedade e na vida dos portugueses com a construção da nova fábrica. Houve também um investimento na parte técnica — fomos os primeiros a ter máquina plana de corte de folha; vieram engenheiros alemães para cá explicar como é que isto se fazia, portanto, o facto de eles concentrarem ali uma produção já seriada, de maior quantidade, permitiu que os custos baixassem e que isto passasse a ser acessível à classe média», conta-nos.

Esta acessibilidade transformou o nosso país num mostruário magnífico de peças OLAIO distribuídas por grande parte das casas portuguesas, e algumas dessas peças foram recuperadas neste novo e reformulado capítulo, como é o caso das cadeiras, poltronas e aparadores Capri, Brasil, Caravela e Forma. Para regozijo de quem visita o actual showroom, são estas peças que nos lançam numa infindável viagem por um mundo de design intemporal, linhas demarcadas e limpas, funcionalidade acima de tudo. A estante Modular e o banco Museu fazem parte das novas apostas da marca, a par de outras novidades e relançamentos que sairão da gaveta em breve.

In other times, it was fairly usual to see furniture with OLAIO’s stamp in government offices, hospitals and post offices. Surely an inimitable set of Caravela chairs and table must have made part of our grandparent’s dining room, made up of such tremendous quality and design that just doesn’t go out of style. Born in 1886 thanks to Zé Olaio, few would’ve guessed that this legacy would last until now, let alone with such success. «My great-grandfather founded OLAIO. Then came my grandfather and my great-uncle, who eventually partnered up — my great-uncle was older than my grandfather about 11 or 12 years. First, he partnered up with my great-grandfather and later, when the latter started getting older, he partnered with my grandfather. When everything was all set up, my great-grandfather passed away», João Pedro Olaio tells us, the founder’s great-grandson and one of the halves of OLAIO’s new and improved heartbeat, which happened in 2016 after Renata Viera came into play.

If today the space that’s used as the office and showroom (visits only by appointment) is located in Bairro Alto, it’s more than certain that we recall a return to their roots, as OLAIO started out in «Rua da Atalaia, back then it was a whole block, a very small factory», João says. Somewhere in the 50s, his great-uncle and grandfather were already leading the brand when they decided to create «a bold project in Sacavém and build a factory that was practically a huge industrial park the size of four soccer fields. Then they started producing everything with machinery they would buy abroad, for which they had to have a license from the government, all of this before the revolution».

According to Renata, this undertaking coincides with a big change for the brand, which was stopping the piece by piece production and adopting a mass production system. «There’s a significant turning point on the visibility and impact OLAIO had in society and the life of Portuguese people with the new factory. There was also an investment on the technical side — we were the first to get a flat sheet cutting machine; with it came German engineers to teach how the machine was used, so the fact that they centered mass production there allowed for the costs to reduce and the brand started being more accessible to middle class», she tells us.

This accessibility transformed our country in a magnificent showcase of OLAIO pieces spread around the homes of Portuguese people, and some of those pieces were recovered for this new and improved chapter, such as the chairs, armchairs and sideboards Capri, Brasil, Caravela and Forma. For the delight of those who visit the current showroom, these are the pieces casting us into an endless journey through a world of timeless design, distinguished, clean lines, and functionality above all. The case Modular and the bench Museu are some of the brand’s new bids, alongside some other new products and relaunches that are coming to life pretty soon.

 
 
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A inspiração nórdica é visível desde os primeiros momentos da marca. «A grande visão da OLAIO era a qualidade com maquinaria de primeira, alemã, sueca ou suíça. Todos os anos, quatro pessoas da fábrica, nomeadamente o meu tio e o meu pai com mais dois chefes de fábrica, faziam uma viagem de carro pela Europa — às vezes, estas viagens duravam três meses e eram feitas com o intuito de procurar as melhores máquinas que existiam nessa altura e ir às feiras. A partir daí, foi relançar produtos inovadores inspirados em peças que iam descobrindo nas viagens», relata João. Esta inspiração acarretava várias fontes: cadeiras do lobby de um hotel na Dinamarca, por exemplo, que levavam para o quarto e desmontavam, fazendo desenhos em ponto grande em cartão para levar para Portugal, onde depois faziam pequenas modificações na produção.

 «Peça importantíssima no desenvolvimento da OLAIO», acrescenta Renata, «é o engenheiro Brehm, ainda vivo, melhor amigo do Zé Pedro Olaio, pai do João. Ainda hoje se vão buscar um ao outro de carro e vão os dois passear ao sol. Foi um homem que veio para a OLAIO para ensinar os funcionários da fábrica como se utilizava a máquina de folha». Quando chegou, não dizia uma única palavra de português, mas Zé Pedro Olaio, que estudou na escola alemã, criou logo um laço com ele porque era a única pessoa na fábrica que falava alemão. Resultado: o engenheiro Brehm ficou em Portugal, casou e nunca mais se foi embora.

 Desta grande empresa familiar restam memórias de uma vida dedicada a um ofício nobre com a colaboração de centenas de funcionários, seja na produção ou no design — termo que antigamente se cingia a “decoração”, responsabilidade máxima do gabinete técnico, do qual fizeram parte nomes como José Espinho ou João Chichorro. Hoje em dia, o renascimento da marca traz consigo uma série de variáveis novas, como a matéria-prima: «Os moldes são os mesmos, mas as madeiras que eram usadas na altura eram africanas, que, hoje em dia, já não estão disponíveis, por isso tivemos que adaptar as madeiras e ver tecnicamente como seria o comportamento destas. Sem desvirtuar o desenho, o que pudermos pôr a funcionar de uma maneira mais cómoda e confortável, excelente».

The Nordic inspiration is quite clear since the first days of the brand. «The major vision for OLAIO was the quality with top-notch machinery, German, Swedish or Swiss. Every year, four people from the factory, namely my uncle and my father with two more managers, would go on a car trip through Europe — sometimes, these trips would last for three months and happened with the goal of looking for the best machines there were back then and going to the big fairs. From then on, they relaunched innovative products inspired by pieces they would discover during those trips», João says. This inspiration came from many sources: chairs from the hotel lobby where they were staying in Denmark, for example, which they would take up to their room and dismantle it, drawing it on cardboard to scale to take it back to Portugal, where they would then make small changes in production.

«Extremely important puzzle piece for the development of OLAIO», adds Renata, «is Brehm, an engineer, who’s still alive and is Zé Pedro Olaio’s best friend. They still pick each other up nowadays and wander about under the sun. This was the man that came to OLAIO to teach the factory workers how to handle the flat sheet cutting machine». When he got here, he couldn’t muster a single word of Portuguese, but Zé Pedro Olaio, who had studied at the German School, immediately befriended him, as he was the only person who could speak German there. Bottom line, Brehm stayed in Portugal, got married and never left.

What’s left from this big family company are memories of a lifetime dedicated to a noble art with the collaboration of hundreds of workers, whether it’s in production or design — a term that back then didn’t exist, it was referred to as “decoration”, a responsibility of the technical department, from which names as José Espinho or João Chichorro were a big part of. Today, the rebirth of the brand brings a whole new set of variables, like the materials: «The models are the same, but the wood that was used back then was African, which today is no longer available, so we had to adapt to different wood and understand its behavior. Without misrepresenting the design, whatever we can make more comfortable and cozier, we will».

 
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Há aqui uma charneira significativa na visibilidade e no impacto que a OLAIO teve na sociedade e na vida dos portugueses com a construção da nova fábrica.

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There’s a significant turning point on the visibility and impact OLAIO had in society and the life of Portuguese people with the new factory.

 

 

 
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