Limbo
 

No bairro da Madragoa, um dos mais típicos de Lisboa que vai resistindo de pedra e cal, nasceu uma loja de plantas tão modesta nas dimensões quanto diversificada na selecção de exemplares — aqui, qualidade supera quantidade. Falamos da Limbo, claro está, um éden sem igual de plantas e cerâmicas.

_

In Madragoa, one of the most typical neighborhoods in Lisbon that keeps going strong, a plant store was born, a place so modest in its dimensions as diversified in its selection of samples — here, quality trumps quantity. We’re talking about Limbo, of course, a unique haven for plants and ceramics.

 

 
_MG_1696.JPG
 
 

São poucas as pessoas que não partilham do sonho de ter uma loja de plantas. Todos os espécimes verdes e luxuriantes, de folhas com mil e uma formas, tons e feitios, têm um lugar cativo nos nossos corações desde que a planta de interior passou a ser tendência também na cidade. É o objecto-de-desejo dos nossos tempos e transporta consigo um efeito de tábua de salvação, digamos assim, que acalma os ânimos digitais e nos obriga a relacionarmo-nos com a natureza.

Soraia Silva é uma das três partes envolvidas na abertura da Limbo, inaugurada em Maio de 2018, mas já a ser pensada desde 2017. A ela juntaram-se Joana Fernandes, que disse logo “I’m in” assim que soube o que Soraia queria fazer, e Tiago Silva, o irmão, “que acaba por ser quem está mais tempo comigo aqui, pois a Joana vive na Suécia”. A formação em História da Arte levou-a a trabalhar em galerias de arte, mas — tudo o que é bom acaba depressa, dizem — chegou a um ponto em que já não era aquilo que fazia sentido na sua vida e decidiu mudar de ares. “Quando me despedi, já tinha a ideia de ter uma loja de plantas. Comecei logo a correr Lisboa á procura de espaço. Sempre tive plantas em casa em todos os sítios por onde passei”. Soraia cresceu no campo, em Ourém, apesar de a sua paixão por plantas ter surgido mais tarde. “Quando era miúda, odiava plantas. Mas agora é quase coleccionismo”.

There are few people who never dreamed of owning a plant store. Every green, luxurious specimen, with leaves with thousands of shapes, colors and silhouettes, hold a special place in our hearts since the interior plant started trending in the city as well. It’s the object of desire of our times and carries with it a lifeline effect, dare we say, that keeps all things digital under siege and makes us deal with nature.

Soraia Silva is one of the three parts involved with Limbo, which opened its doors in May 2018, but has been on her mind since 2017. Joana Fernandes, which immediately said “I’m in” when Soraia told her what she intended to do, and Tiago Silva, her brother, “who ends up being the one who spends the most time here with me, as Joana lives in Sweden”, joined her from the get-go. Her background in Art History led her to work in art galleries, but — all good things must come to an end, as they say — she got to a point where that wasn’t exactly what she wanted to do with her life and decided to take on a change of scenery. “When I quitted, the idea of owning a plant store was already brewing. I immediately started going around Lisbon looking for a space. I’ve always had plants in all the houses I’ve lived in”. Soraia grew up in the countryside, in Ourém, though her passion for plants came to her later. “When I was a kid, I hated them. Now I’m kind of collecting them”.

 
 
_MG_1620.JPG
_MG_1689.JPG
_MG_1678.JPG
 
 

O primeiro passo no interior da Limbo é de um total espanto e assombro do mais positivo que há: um sem número de plantas das mais variadas espécies, muitas delas únicas e até raras para nós, comuns mortais, como a begonia maculata ou a albuca spiralis, todas em verdadeira harmonia nos seus vasos tradicionais em barro. “E para além de plantas, também vendemos cerâmicas: Círculo Ceramics, Olho, Maud (da Sedimento) e Úrsula (também da Sedimento), Patrícia Lobo, Otchipotchi, Barro Alto”, entre outras marcas e ateliers incríveis.

Algumas palavras trocadas com a Soraia e sente-se na voz o entusiasmo por cada um daqueles tesouros que escolhe especificamente e com toda a atenção nos viveiros onde compra tudo para a loja. “Do que eu gosto mesmo é de ir comprar as plantas, porque eu quero tudo, mas não pode ser. O armazém não tem luz, por isso não posso deixar lá nada. Vou às compras todas as semanas, maioritariamente à segunda-feira, mas chego a ir noutros dias da semana, quando não há esta ou aquela planta que eu quero muito ter aqui. Gosto de escolher aquela planta particular, comprá-la para a loja e deixar que alguém se apaixone por ela o suficiente para a levar consigo”. Soraia não compra nada de que não gosta e vai buscá-las a vários locais, do Montijo a Sintra e até Pombal e Leiria.

Em casa, diz já não ter tantas como já chegou a ter, porque a “loja fez-me obviamente acalmar um bocadinho. Como a minha casa não tem muita luz, tenho algumas restrições — o que às vezes até é bom, porque muitas pessoas que aqui vêm têm o mesmo problema”. Para ela, a Limbo significa também muito estudo, muita investigação, muita leitura sobre tudo o que diz respeito a este reino maravilhoso e que inspira cuidados, mas também muito conhecimento. Quem por aqui passa não sai sem um sorriso nos lábios e uma planta nova nas mãos. É difícil resistir, não é?

As you step into Limbo, the first reaction is one of amazement and wonder: a number of plants of countless species, many of them unique and even rare to us, the common human being, such as the begonia maculata or the albuca spiralis, each of them living in perfect harmony in their traditional pots. “In addition to plants, we also sell ceramics: Círculo Ceramics, Olho, Maud (from Sedimento) and Úrsula (also from Sedimento), Patrícia Lobo, Otchipotchi, Barro Alto”, among many other lovely brands and studios.

A couple of words exchanged with Soraia are enough to feel in her voice the enthusiasm for each of those treasures she specifically and attentively chooses at the farms where she buys everything for the store. “What I really enjoy is buying the plants, because I want everything, but I can’t. The warehouse is too dark, so I can’t leave anything there. I go shopping every week, mostly on Mondays, but sometimes I’ll go on other days of the week when this or that plant hasn’t come, and I really want it. I love to choose that particular plant, buy it for the store and let someone fall in love with it enough to take her home”. Soraia doesn’t buy anything she doesn’t like, and she picks them from several places, from Montijo to Sintra and even Pombal and Leiria.

At home, she says she doesn’t own as many as she used to, because “the store obviously calmed me down a bit. It’s not that bright, so I’ve got a few restrictions — which sometimes is good, as many people come here with the same problem”. To her, Limbo means lots of studying, research, and reading about everything that has to do with this wonderful kingdom that demands delicate care, but also plenty of knowledge. Those who come here don’t come out without a smile on their lips and a new plant on their hands. It’s hard to resist, isn’t it?

 
_MG_1651.JPG

 

Gosto de escolher aquela planta particular, comprá-la para a loja e deixar que alguém se apaixone por ela o suficiente para a levar consigo.

_

I love to choose that particular plant, buy it for the store and let someone fall in love with it enough to take her home.

 

 

_MG_1537.JPG
_MG_1664.JPG
 
#collection-550c1227e4b01f5b2b709f0e #page{ max-width:800px !important; }