FICA Oficina Criativa
 

O dia luminoso convida-nos a entrar neste espaço incrível de linhas industriais que é a FICA, uma oficina em Lisboa que nasceu graças à vontade de Rita Daniel Rodrigues e Gonçalo Almeida em terem na sua cidade do coração um local onde pudessem pôr mãos à obra e onde conseguissem receber pessoas com a intenção de fazer o mesmo. 

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The bright day welcomes us inside this stunning, industrial-like space that is FICA, a creative studio that was brought to life thanks to Rita Daniel Rodrigues and Gonçalo Almeida and their drive to see in their beloved hometown a place where they could get down to business and invite people with the same intention to join them.

 

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A ideia começou a ser trabalhada em 2015, altura em que estavam a viver em Zurique, na Suíça, e o impulso de um concurso “obrigou-os” a fazer da ideia um projecto conciso e concretizável. “Sem isso, se calhar não nos teríamos mexido tão rapidamente para montar o negócio em seis meses depois de termos conseguido o financiamento. O desejo de voltar já existia, também, por isso, foi tudo essencial para que a FICA acontecesse”, conta Rita. Antes de ser FICA, porém, a oficina era VOLTA, nome que surgiu da vontade de voltar, mas também do intuito de “voltar a fazer coisas. Estas técnicas todas que temos aqui já as fazíamos em paralelo com as nossas actividades profissionais. É a tal coisa do cliché, o hobby passa a ser o full-time”.

Em 2016, o LX Factory recebeu-os de braços abertos num estúdio de dimensões agradáveis e diferentes salas para colocar em prática o que queriam. “Voltámos, montámos tudo e abrimos. Começámos a procurar um espaço que servisse os nossos interesses quando ainda estávamos em Zurique. Não queríamos um espaço ao pé de uma zona residencial, porque sabíamos que queríamos estar abertos o dia todo com barulho, pó, máquinas, serras; então começámos a procurar e, quando chegámos, foi mesmo contactar, ver e foi isso. Quando vimos este espaço, decidimos logo”. Percebe-se bem porquê.

Na FICA, os afazeres dividem-se essencialmente entre cerâmica, encadernação, gravura, marcenaria, modelação, risografia e serigrafia, técnicas que podem ser treinadas ou melhoradas em workshops pontuais ou oficinas de curta e longa duração. Para quem já domina estas técnicas e pretende produzir na verdadeira acepção da palavra, a FICA criou o Ginásio de Ofícios, um espaço que recebe pessoas que já conheçam as técnicas e que desejem apenas pôr conhecimentos em prática ou desenvolver melhor uma técnica, com personal trainer ou não, como os próprios referem. “Reconhecemos uma necessidade, que também era a nossa, de termos um espaço onde tivéssemos a uso algumas ferramentas para concretizar projectos pessoais, como construir o aparador para guardar os vinis ou fazer um print porque gostamos de serigrafia. Em Zurique já existia esta oferta, uma oficina partilhada, mas em Lisboa sempre senti essa necessidade. O conceito da FICA é exactamente esse, um local onde qualquer pessoa pode utilizar as máquinas e ferramentas que temos à disposição e produzir para si. Para sustentar este serviço, existe também a possibilidade de aprender e treinar”, remata Rita.

They started to work on the idea in 2015 when they were still living in Zurich, Switzerland, and the push from a call for tenders “made” them turn the idea into a concise, achievable project. “Without it, maybe we wouldn’t have moved as quickly to get the business together within six months after we got the financing. Their yearning to return was already there, so everything was crucial to make FICA happen”, Rita tells us. Before it was called FICA (which means stay) the studio was named VOLTA (meaning return or come back), a term that came up because of the desire to return, but also their wanting to “do stuff again. All of these techniques we got here we were already doing them alongside our main jobs. Is that kind of cliché, the hobby that turns into a full-time job”.

In 2016, LX Factory received them with arms wide open in a somewhat big studio with different areas to bring what they wanted to do into play. “We came back, put everything together and opened the doors. We started looking for a space that could fill our interests back when we were still in Zurich. We didn’t want a place close to a residential neighbourhood, as we knew we wanted to stay open all day long with noises, dust, machines, power saws; then we started looking, and when we got here, we just reached out, saw the place and that was it. When we saw it, we made a decision on the spot”. We can see why.

At FICA, crafts are essentially divided into ceramics, bookbinding, engraving, woodworking, moulding, risography, screenprinting, techniques that can be further learned or improved in one-time or long-running workshops. For those who already master these techniques and just want to make something, FICA created the ‘Ginásio de Ofícios’, a place that welcomes people that already know the techniques and just want to put their knowledge into practice or further develop a technique, with or without personal trainer, like they say. “We identified a need, which was also our own, of having a space with certain tools to complete personal projects, like building the sideboard to store our vinyl records or print something because we like screenprinting. There were already a couple of places like that in Zurich, a shared studio, but I’ve always felt that need in Lisbon. FICA’s concept stands exactly on that, a place where everyone can come and use the machines and tools we have here and just make things for themselves. To sustain this service, there’s also the possibility to learn and practice more”, Rita concludes.

 
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“Reconhecemos uma necessidade, que também era a nossa, de termos um espaço onde tivéssemos a uso algumas ferramentas para concretizar projectos pessoais, como construir o aparador para guardar os vinis ou fazer um print porque gostamos de serigrafia.”

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“We identified a need, which was also our own, of having a space with certain tools to complete personal projects, like building the sideboard to store our vinyl records or print something because we like screenprinting.”

 

“Na altura, também pensámos ter um espaço expositivo, mas só quando a área da entrada do atelier se expandiu é que surgiu a possibilidade de fazermos exposições, parcerias com designers, ilustradores, enfim. A ideia é também tentar que o que seja exposto tenha sido criado aqui, ou parte disso. Também nos interessa fazer workshops com as pessoas que vêm expor”, completa Gonçalo.

Uma semana normal na FICA tem tudo menos de “normal”. Ora recebem os residentes, ora estão a dar workshops ou oficinas, ora estão a dar apoio a quem chega para o Ginásio de Ofícios. Falta sempre tempo, contudo, para a produção própria que querem desenvolver cada vez mais, ainda que consigam gerir encomendas. “Há uma exigência da nossa parte para acompanhar as pessoas que cá vêm, e fazemo-lo com todo o gosto, mas, nos últimos meses, temos tentado estabelecer mais horários específicos para as técnicas, só porque logisticamente é mais simples. Claro que abrimos excepções e basta que nos avisem com um dia de antecedência para que consigamos ter o espaço preparado”. 

O prazer de ensinar estes ofícios tradicionais deixa-os convencidos de que tomaram a decisão certa, e isso nota-se assim que entramos na FICA e nos regozijamos com a quantidade imensa de obras que ali estão a ser feitas por formandos e profissionais com idades dos 25 aos 80 anos, cuja aprendizagem cativa e motiva Rita e Gonçalo diariamente. 

“Back then, we also thought of having a space for exhibitions, but it was only when this area at the entrance of the studio expanded that we really thought of that possibility, as well as partnerships with designers, illustrators, and so on. The idea was also to try to have part of what’s showcased out there built here. We’re also interested in hosting workshops featuring the artists themselves”, Gonçalo says.

A normal week at FICA is everything but “normal”. Sometimes they’re welcoming the “usual tenants”, other times they’re holding workshops or even supervising people coming in for the Ginásio de Ofícios. There’s not enough time, however, for their own products, which is something they’d like to keep going even more, although they can still manage to take care of some orders. “We insist on overseeing everyone that comes here, and we do it with a smile on our faces, but in the last few months we tried to lay down more specific opening hours for some techniques, only because it’s logistically easier. Of course, there are always exceptions and you just need to give us a day’s notice so that we can have the space prepared for you”.

The pleasure of teaching these traditional crafts convinced them that they made the right decision, and it certainly shows every time we get in and rejoice with the vast number of projects that are being completed by trainees and pros with ages between 25 and 80, whose learning process captivates and motivates the owners every single day.

 
 
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