Joana Mota Capitão

Joana Mota Capitão
 

De sorriso fácil e um sem número de ideias para mandar cá para fora, Joana Mota Capitão é um caso raro na joalharia de autor nacional — mas parece ser a única a desconhecer este facto. 

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Her easy smile and a whole lot of ideas to bring to life make Joana Mota Capitão Jewellery a rare case within the Portuguese jewellery design — though she seems the only one to not acknowledge this fact. 

 

 
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Comecemos pelo princípio: antes de existir sequer o sonho de uma Joana Mota Capitão Jewellery no ar, havia uma criança fascinada com o constante bricabraque presente nas vidas e casas das avós, uma antiquária, a outra uma eterna aficionada de obras de qualquer e toda a arte. Mobiliário antigo, pinturas e peças únicas de joalharia serviriam, então, de influência maior, sem que se apercebesse sequer disso — muito mais e de forma vincada nos dias de hoje, mas já lá vamos.

Começou por seguir um caminho ligado ao Design, graças à licenciatura em Design de Produção de Ambientes no IADE – Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing, mas, no ano em que se licenciou, 2006, entrou no curso de Joalharia na Ar.Co, que durou quatro anos. Depois disso, pouco a faria parar ou mudar de rumo. A paixão estava traçada, mas não sem antes partir para Barcelona a fim de estagiar nas oficinas de dois reconhecidos joalheiros, Marc Monzó e Estela Guitart. Quando regressou, em 2011, tornou-se assistente do designer/joalheiro Valentim Quaresma, onde acabou por reunir algumas das certezas que tinha e atirar-se de cabeça para aquela que viria a ser a sua marca homónima de joalharia.

Let’s start from the beginning: before there was even the dream of Joana Mota Capitão Jewellery hovering, there was a kid fascinated with the constant bric-a-brac in her grandmothers’ lives and homes, an antiquarian and an aficionado of all things art. Old furniture, paintings, and unique jewellery would thus become a major influence, without her even knowing it — much more so today, but we’ll get there in no time.

She started by following a path connected to Design thanks to the degree in Production and Ambient Design at IADE – Visual Arts, Design and Marketing, but the year she graduated, 2006, she enrolled in a Jewellery course at Ar.Co, which had the duration of four years. After that, there was nothing that could stop her or make her change her ways. The passion she felt for it was spoken for, but not before going to Barcelona to take on an internship at the studios of two renowned jewellery designers, Marc Monzó and Estela Guitart. When she came back, in 2011, she worked as a studio assistant for designer/jeweller Valentim Quaresma, which was where she ended up gathering the few certainties she had and go all in on what later became her own homonymous jewellery brand.

 
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«Não gosto de ser igual a toda      a gente»

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«I don’t like being like everyone else»

 

 

 

 

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Ter e explorar as ideias na sua cabeça é algo que faz dia sim, dia sim. Mas transpô-las para o mundo real é uma tarefa hercúlea para a Joana. «Tenho sempre receio de criar uma nova colecção. Deixo-me levar pelas minhas inseguranças e acabo por colocar entraves no processo criativo», afirma. 

Quem conhece o trabalho de Joana, contudo, não é isso que vê. As suas peças, ainda que visivelmente integrantes de colecções distintas, que, aliás, marcam diferentes momentos na vida da designer, seguem uma linha que une elementos orgânicos e referências geométricas, revelando contornos singulares e jogos de volumes que as destaca das demais. «Não gosto de ser igual a toda a gente», diz. «Sou e sempre fui assim na minha vida pessoal, também, e até na minha família. Sempre fugi um pouco da norma — ou, pelo menos, quero acreditar que sim. Numa família de médicos, veterinários e farmacêuticos na sua maioria, decidi ser joalheiras».

 

To have and explore the ideas in her mind is something she does day in, day in. But to convey it into the real world is a daunting task for Joana. «I’m always scared to create a new collection. I let myself be taken over by my insecurities and end up putting obstacles in the way of my creative process», she says.

Those who know Joana’s work, however, doesn’t see it like that. Her pieces, even though they’re clearly part of different collections, which in fact mark individual moments in the designer’s life, follow a line that combines organic elements with geometric references, revealing singular outlines and a match of volumes that make her stand out from the crowd. «I don’t like being like everyone else», she says. «I am and always was like this in my personal life, as well, and even with my family. I’ve always escaped the norm somewhat — or at least I want to believe so. In a family of mostly doctors, veterinarians, and pharmacists, I decided to become a jewellery designer».

 
 
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Seja em que colecção for, há sempre uma história por detrás dos contornos; as viagens, a natureza, a pintura e tudo o que a rodeia é onde vai buscar inspiração para as peças que visualiza e produz totalmente à mão no seu atelier — tirando uma ou outra fase do processo mais complexa, como a fundição, que a faz procurar artesãos praticamente em vias de extinção. A mais recente colecção, ‘Luz’, não foge a esta regra. 

«O nome vem da minha avó materna, Maria Luz. Mais uma vez, esta colecção foi inspirada pela minha avó — quase todas as colecções têm uma ligação muito forte à minha família, inevitavelmente, e às minhas avós. Houve um dia em que fui à arrecadação da minha avó, estava a ajudar a minha mãe a procurar uma coisa, e deparei-me com vários objectos de mobiliário antigo. Apaixonei-me! Comecei logo a imaginar o que poderia fazer com aquilo. Normalmente, é como faço: imagino. Não sou muito de desenhar. Antigamente era, hoje em dia já não. Desenhava muito — e bem».

‘Luz’ é, sem dúvida, um ponto de viragem na vida pessoal e profissional de Joana, uma história de amor contada através de jóias que são também memórias, tesouros de outrora, a derradeira inspiração para uma colecção forte, romântica e de personalidade floral. Uma colecção como nenhuma outra e que subscreve a sofisticação e vontade de criar que rege esta marca portuguesa.

No matter the collection, there is always a story behind the shapes: her travels, nature, painting, and everything that surrounds her is where she searches for inspiration for the pieces she visualises and creates completely by hand in her studio — excluding a few more complex stages of the process, like the foundry, which made her look for artisans that are nearly close to extinction. Her most recent collection, ‘Luz’, is no exception.

«The name came from my grandmother from my mother’s side, Maria Luz. Once again, this collection was inspired by my grandmother — almost all of my collections are closely linked to my family, inevitably, and to my grandmothers. One day I was in my grandmother’s storage room, I was helping my mother look for something, and I came across with several old furniture and objects. I fell in love! I started imagining right away what I could do with that. Usually, it’s what I do: I imagine it. I’m not the person to draw. I used to, but not anymore. I used to draw a lot — and I did it pretty well».

‘Luz’ is definitely a turning point on Joana’s personal and professional life, a love story told through pieces of jewellery that are also memories, treasures from olden times, the ultimate inspiration for a strong, romantic, and floral collection. A collection like none other, assenting to the sophistication and the will to create that govern this Portuguese brand.

 
 

JOURNAL PROUST

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Joana Mota Capitão

 
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