Ó! Galeria

Ó! Galeria
 

O nome evoca surpresa e entusiasmo, como que a adivinhar o recheio encantado do interior desta loja-galeria que, em 2015, estendeu os braços do Porto até Lisboa para nos agraciar com a sua presença. 

As primeiras quatro paredes a enlaçar a Ó! Galeria foram as do CCB – Centro Comercial Bombarda, no Porto, mais precisamente o espaço da Bidonville, «composto por uma dezena de barracas de madeiras projectadas pelo designer Rui Viana, responsável pela Piurra. Eram realmente muito bem desenhadas e foi isso que despoletou a vontade de ter algum projecto numa delas», conta Ema Ribeiro, alma por detrás de tudo isto e força motriz que a manteve aberta até hoje, nove anos depois da génese, ainda que por lá tenham passado outras mãos passageiras. No entanto, «foi graças aos ilustradores e clientes que a Ó! resistiu», sublinha.

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The name suggests surprise and enthusiasm, as if guessing the charming filling inside this gallery & shop, which, in 2005, stretched its arms from Porto to Lisbon to grace us with its presence.

The first four walls to embrace Ó! Galeria were in CCB – Centro Comercial Bombarda, in Porto, specifically the ones of Bidonville, «composed of a handful of wooden booths designed by Rui Viana, owner of Piurra. They were really well designed, and that was what triggered the desire to have some kind of project in them», says Ema Ribeiro, the mind behind all of this and the driving force that kept it until now, nine years after its inception, though other temporary hands crossed her path. All in all, «Ó! Galeria held its own through time thanks to the illustrators and the customers», she stresses.

 

 

 
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Estamos, sem dúvida, perante a primeira galeria dedicada exclusivamente à ilustração no Porto, que rapidamente se tornou numa referência para os portuenses e visitantes, já que a boa nova se espalhou para lugares distantes e começou a atrair curiosos e amantes desta arte. Poder ver os trabalhos de ilustradores locais e internacionais nas paredes cruas da Ó! Galeria transformou-se num privilégio, quase um acto solene, cujo crescimento passou a exigir mais paredes. Com a ideia a fermentar há algum tempo, Ema aproveitou a primeira oportunidade mais a sério para abrir uma pop up store em Lisboa quando lhe falaram do espaço vazio na Rua de São Cristóvão, na Mouraria. Esta antiga mercearia tinha tudo para tornar esta aventura transitória num caso de sucesso. E assim foi. 

Passaram-se os três meses que havia pensado para a estadia e Ema decidiu demorar-se no bairro. Pouco mais de um ano depois, encontrou um outro espaço, também na Mouraria, na Calçada de Santo André, que lhe encheu as medidas. Muda-se novamente a morada, mas a essência original mantém-se. Mil e uma cores vestem as paredes descascadas desta antiga oficina, que estava fechada há mais de 25 anos, e no aparente caos encontramos uma ordem sublime de molduras de diferentes feitios e contornos, grandes, pequenas, quadradas e estreitas, como um puzzle que se monta segundo o gosto e o instinto.

Dar fôlego a este bairro não podia fazer mais sentido para Ema: «Nunca quis outro tipo de lugar para a Ó!, pois o bairrismo é das coisas mais atrativas para nós; é a pertença à história de Lisboa, onde nos sentimos bem recebidos pelos que ainda resistem».

We are undoubtfully before the first gallery dedicated exclusively to illustration in Porto, which quickly became a reference for locals and visitors, since the good news spread to distant places and started luring rubbernecks and lovers of this art alike. To be able to see the work of local and international illustrations on the raw walls of Ó! Galeria turned into a privilege — a solemn act, almost — which growth began demanding more walls. With the idea stirring up for quite some time, Ema took the first real chance to open a pop-up store in Lisbon when she heard about the empty space in Rua de São Cristóvão, in the Mouraria neighbourhood. This old grocery store had everything to turn this ephemeral adventure into a success story. And that’s exactly what happened.

The three months that were first on her plans went by and Ema decided to extend her stay in the neighbourhood. A little more than a year later, she found another space, also in Mouraria, in Calçada de Santo André, that fulfilled her expectations. New address, but the original spirit is still there. A thousand colours dress the walls of this age-old workshop, which was closed for more than 25 years, and in the seeming chaos we can find a magnificent order of frames of different shapes and outlines, big, small, square, and narrow, like a puzzle that’s assembled according to taste and instinct.

To bring new life to this neighbourhood couldn’t make more sense to Ema: «I never wanted any other kind of place for Ó!, as The neighbourhood feel is one of the most exciting things for us; it’s as if we belonged to Lisbon’s history, where we feel welcomed by those who still resist».

 
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«Nunca quis outro tipo de lugar para a Ó!, pois o bairrismo é das coisas mais atrativas para nós; é a pertença à história de Lisboa, onde nos sentimos bem recebidos pelos que ainda resistem».

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«I never wanted any other kind of place for Ó!, as The neighbourhood feel is one of the most exciting things for us; it’s as if we belonged to Lisbon’s history, where we feel welcomed by those who still resist».

 

Os nomes que por aqui passam dispensam as típicas apresentações ou sínteses triviais. São artistas bem conhecidos na cena da ilustração que se dividem entre quadros, prints, zines, tote bags, livros e outros objectos-de-desejo para qualquer aficionado que se preze.

Maria Herreros, Yara Kono, Júlio Dolbeth, Esther Lara, Mariana, a miserável, Ana Seixas, Paula Bonet, Agathe Sorlet, Maria Imaginário e Skinkeape, entre muitos outros, uns de cá, outros de lá, mas todos com uma vontade desmedida de fazer parte deste espaço-maravilha. «Todos os anos entram novos ilustradores que vou encontrando e conhecendo, e todos os anos revisitamos os ilustradores que já fazem parte da galeria. Já há uma rotina criada na elaboração do calendário de exposições. Com um ano de antecedência, crio o calendário, no qual coordeno os novos e os mais antigos ilustradores da galeria. Um mês por exposição, alternando em Lisboa e Porto». Para além destas exposições, há também um recanto dedicado às exposições flash, uma forma instantânea de destacar trabalhos de novos artistas — o catálogo da Ó! Galeria conta com mais 70 autores portugueses e estrangeiros, alguns deles já da casa. 

Feitas as contas, fica a dúvida no ar se a Mouraria vai poder contar com a Ó! Galeria por tempo indeterminado: «A oportunidade surgiu na hora certa e, como se diz, “quem não arrisca não petisca”. E lá fomos arriscar para a capital. A experiência é positiva, mas não tão positiva como no Porto. É preciso tempo e vamos dar mais um ano para perceber se realmente vale a pena ficar».

Resta-nos apelar à visita e aguardar pelas exposições individuais e colectivas deste ano, entre as quais estão a de André da Loba, a da editora Triciclo e da francesa Edith Carrón. 

The names that go through here need no introduction or trivial overviews whatsoever. They’re well-known artists within the illustration scene that divide their artwork between canvases, prints, zines, tote bags, books and other objects of desire for any devoted aficionado.

Maria Herreros, Yara Kono, Júlio Dolbeth, Esther Lara, Mariana, a miserável, Ana Seixas, Paula Bonet, Agathe Sorlet, Maria Imaginário, and Skinkeape, amongst many others, some from here, others from abroad, but every single one of them with an unbridled yearning to be part of this wonder place. «Every year, I discover new illustrators, and every year we revisit the ones who are already part of the gallery. There’s a system already in place for the scheduling of exhibitions. I set up the calendar with a year in advance, in which I coordinate the newest additions and the ones that have been here before. One-month exhibitions, alternating between Lisboa and Porto». In addition to these exhibitions, there’s also a corner dedicated to flash exhibitions, an on-the-spot solution to showcase the work of new artists — the catalogue has just over 70 Portuguese and international authors, some of which are already part of the family.

At the end of the day, there’s still the question of whether Mouraria will stay as the official forever home for Ó! Galeria: «The opportunity came at the right time, and, as some say, “nothing ventured, nothing gained”. So, there you go. The outcome is bright, but not as in Porto. It needs time, so we’re giving it one more year to figure out if it’s really worth staying».

We must all urge everyone to visit and wait for this year’s solo and collective shows, amongst which are André da Loba, the publisher Triciclo, and the French illustrator Edith Carrón.

 
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