XYZ Books
 

Para todo e qualquer apreciador crónico de publicações de fotografia e de arte, o destino parece volúvel, quase dúbio, mas facilmente se transforma em lugar certo e sabido quando se menciona a ilha, ou melhor, a XYZ Books. Ambas. Sim, vamos explicar tudo.

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For each and every chronic admirer of photography and art publications, the destination seems volatile, dubious even, but it’s easily transformed into a clear place when one mentions a ilha, or better yet XYZ Books. Both. Yes, we’ll explain everything.

 

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«a ilha é um invólucro que contém várias coisas: uma livraria, uma editora, espaços de trabalho, uma sala de exposições e meios técnicos de impressão», conta-nos Pedro Guimarães, um dos fundadores d’a ilha e criador da XYZ Books como livraria no Chiado, um lugar de metros quadrados reduzidos e prateleiras desenhadas à medida por Tiago Casanova, que se juntou a Pedro apenas com esse fim e acabou por ficar, já lá vão sete anos, e ajudar a fundar a ilha, também. 

A existência da loja como projecto de vida provou, contudo, ser sol de pouca dura quando descobriram que a sua vocação não a de lojistas. «No início, acreditámos que íamos estar a trabalhar no nosso atelier, no anexo ao lado, e que, de vez em quando, lá vendíamos uns livros. A verdade é que tens sempre gente a entrar e a sair e não consegues trabalhar. E todos sabemos que não se consegue viver só de vender livros, embora seja um óptimo complemento para outra coisa. Era assim que entendia as coisas, que a livraria seria um complemento para a editora e para o meu trabalho pessoal. Nunca pensei naquilo como um emprego», conclui.

Quando o dia-a-dia na livraria se tornou um sufoco ao invés de uma ocupação prazerosa, fechou portas, mas não tardou muito até encontrar outra casa. A ilha nasceu na Porta E do 3ª da Rua Ilha do Príncipe, nos Anjos, agora uma freguesia em rejuvenescimento, mas, na altura, nem por isso. E era exactamente o que queriam. «É difícil de encontrar, mas as pessoas que querem mesmo vêm cá ter. Uma coisa é o turista que está a passar e fica curioso e entra. Outra é concentrares-te num público mais especializado que vem aqui propositadamente — muitos ficam chateados por não termos horário de funcionamento. Se cá estivermos, estamos. É um modelo um pouco anarquista. Toda a gente deveria fazer assim».

«a ilha is a casing that contains a number of things: a bookshop, a publisher, work spaces, an exhibition venue and printing equipment», says Pedro Guimarães, one of the founders of a ilha and creator of XYZ Books in the form of a bookstore in Chiado, a place of a few square metres and shelves custom designed by Tiago Casanova, who joined Pedro with that purpose only and ended up staying, and seven years have already passed, and helped founding a ilha, as well.

The existence of the bookshop as a life project proved, however, to be short-lived when they established that their calling was not that of a storekeeper. «In the beginning, we believed we would be working in our studio, right next to the store, and that once in a while we would sell some books. The truth is that you always have people coming and going, and you just can’t work. And we all know you can’t live from just from selling books, though it’s a great side project. This was how I saw things, that the bookstore would be a side project as far as the publisher and my personal work were concerned. I never thought of that as a job», he concludes. 

When the day-to-day of the bookstore became a struggle instead of a pleasurable occupation, it closed its doors, but not a lot of time went by until they found another home. A ilha was born at Porta E of Rua Ilha do Príncipe 3ª, in Anjos, a neighbourhood in bloom right now, but not back then. And that’s exactly what they wanted. «It’s hard to find, but the people who really want to end up finding the place. One thing is the tourist who’s passing by, gets curious and comes in. Another is when you focus on a specialised audience that comes here deliberately — many actually become upset because we don’t have opening hours. If we’re here, we’re here. It’s kind of an anarchist model. Everyone should do the same».

 
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«É difícil de encontrar, mas as pessoas que querem mesmo vêm cá ter. Uma coisa é o turista que está a passar e fica curioso e entra. Outra é concentrares-te num público mais especializado que vem aqui propositadamente».

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«It’s hard to find, but the people who really want to end up finding the place. One thing is the tourist who’s passing by, gets curious and comes in. Another is when you focus on a specialised audience that comes here deliberately».

 

Da rua, dá para avistar um longo corredor/pátio a céu aberto que conduz a uns poucos portões e, ei-la, finalmente, a grandiosa entrada do alto dos seus metros quase infinitos a olho nu. No interior, torna-se evidente a dimensão dos três pisos, sendo o primeiro o eleito para as exposições, workshops e outros eventos, e os andares superiores para trabalho propriamente dito e livraria. Aqui vivem arquitectos, artistas, fotógrafos e até um mecânico de bicicletas, paredes-meias com as prateleiras únicas e lindíssimas que guardam os livros da XYZ e outras publicações de igual relevância e qualidade editorial para consulta e, claro está, compra por parte de um público que procura bem e sabe o que quer. Chegando à ilha, sem dúvida de que encontrará o mantimento visual de que precisa.

«Como editora, somos muito novos, ainda só temos para aí oito títulos e são quase todos meus, do Tiago e do Valter, os fundadores. Recentemente, abrimos um pouco o leque, por convite — às vezes, as pessoas pedem-nos para desenhar livros, faz parte do nosso trabalho também —, o projecto do Alexandre Romão, que nos abordou no sentido de produzirmos o livro e não o editarmos. Acabámos por propor editarmos nós o livro porque nos identificámos com que estávamos a fazer».

Para além destes e de outros projectos de edição, a XYZ tem feito por estar presente em feiras internacionais. Por serem «minúsculos» e terem tão poucas coisas, «conhecem-nas bem e dão-nos imenso apoio. Vês logo que é uma família. Estivemos na UNSEEN, em Amesterdão, e estavam lá pessoas de todo o mundo, mas já as conhecemos todas, pois acabas por te sentar ao lado delas em muitas cidades, Amesterdão, Paris, Londres, Nova Iorque. E são sempre as mesmas, a nata dos editores de todo o mundo. E nós estamos lá no meio! Aprendemos imenso. Tens lá dias em que podes ver o que os outros estão a fazer e tu estás sempre actualizado e continuamente a absorver tudo o que está à tua volta».

From the street, you can see a long open-air hallway/patio that leads to a couple of gates, and there it is, the grandiose entrance, overlooking us from its almost infinite metres to the naked eye. Inside, the dimension of the three floors becomes clear, being the ground floor the one devoted to exhibitions, workshops and other endeavours, and the other two above it are for work spaces and the bookstore itself. Here there are architects, artists, photographers and even a bicycle repairman, right next to the unique, gorgeous shelves that safekeep the books from XYZ and other publications of equal relevance and editorial quality for examination and, of course, purchase by an audience that doesn’t get tired of looking and knows what it wants. When you get to a ilha, you’ll definitely find the visual provision you need.

«As a publisher, we’re very young, we only have about eight titles and they’re almost all mine, Tiago’s and Valter’s, all the founders. We’ve recently broadened the range, so to speak, by invitation — sometimes people ask us to design books, which is part of what we do, too —, the Alexandre Romão’s project, who approached us to produce the book, but not publish it. We ended up proposing we published it ourselves, because we related to what was happening».

In addition to these and other publishing projects, XYZ has done its best to be in international trade fairs. Since they’re «pretty tiny» and have so few things, «people know them and give us a lot of support. You can see right away it’s a family. We were at UNSEEN, in Amsterdam, and there were people from all over the world there, but we know them all already, as you end up sitting next to them in many cities, Amsterdam, Paris, London, New York. And they’re always the same, the crème de la crème of publishers everywhere. And we’re right there! We learn a lot. There are days when you can see what everyone’s doing and you’re always up-to-date and continuously absorbing everything around you».

 
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