YOYO objects

YOYO objects
 

A visão do eterno é sempre um incentivo ao resgate de memórias bem guardadas, neste caso, nas gavetas de uma secretária de José Espinho, pioneiro do design português, ou debaixo de uma cadeira de António Garcia, figura de referência no mesmo âmbito. Este retorno a um passado que é muito nosso não é mais do que o presente da YOYO objects.

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The perception of what is eternal continuously fuels the rescue of safe memories, in this case inside the drawers of a desk built by José Espinho, pioneer in Portuguese design, or under a chair made by António Garcia, figurehead within the same field. This going back to the past is no more than the present for YOYO objects

 
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Chegados ao 87 da Rua do Arco a São Mamede, tocamos à campainha e, num repente, ei-la, uma viagem no tempo em cadeirões, mesas, aparadores e outros objectos de decoração com assinatura de grandes autores portugueses e fabricados em Portugal no século XX. Quem diria que esta loja de localização tão central — paredes-meias com o Príncipe Real — se deixaria ficar tranquila neste canto privilegiado após praticamente oito anos de prevalência.

A dinâmica não é ser um negócio de família, mas quase que poderiam adoptar essa ideia, já que os fundadores Vítor Paulino e Rui Penedo são designers gráficos e sócios no rpvp designers – graphic studio, mas também são primos. O terceiro elemento, o arquitecto Ricardo Paulino, é irmão de Vítor e, claro está, também primo de Rui. «Foi o Rui que começou tudo isto e nos pegou o bichinho», conta Vítor. «O Rui começou a colecionar peças ainda muito novo, e o processo acabou por ser natural. Ele pegou-me a mim e eu peguei ao meu irmão, e começámos todos a adquirir peças. Chegou a um ponto em que tínhamos a casa dos nossos avós cheia, mais um armazém, alguém tinha um espacinho e nós ocupávamo-lo. Já tínhamos muita coisa, por isso, quando chegou o momento de mudar de atelier, resolvemos fazer a loja. Mas foi tudo muito intuitivo; gostamos disto».

Quando abriram portas, a estima do que é português na sua génese e produção — e a banalidade do “vintage”, um termo que evitam desde sempre — foi o que acabou por lhes valer um destaque maior do que esperavam na imprensa nacional. «Foi na fronteira entre dar atenção somente ao que é global e passar a fazê-lo em relação ao que é local. Tivemos sorte com esse timing», explica Vítor. Apesar de venderem uma colecção de peças internacionais, o core é português de época, algo que, na altura, não acontecia por aí além. As lojas mais conhecidas em Lisboa, como a Zeppelin e a Loja da Atalaia, davam primazia a objectos importados, essencialmente de países nórdicos. Desde tempos idos que Portugal é um belíssimo produtor, mas peca em termos de design — ou, aliás, da sua apreciação e consequente consagração. Até certo ponto, diga-se: graças ao facto de as carpintarias portuguesas não terem muitos meios para fazerem o que efectivamente tinham de fazer, eram muito inventivas «e aí há também muita qualidade», conclui Vítor.

When we arrive at Rua do Arco a São Mamede 87, we ring the bell and, all at once, there it is, a trip back in time in the shape of chairs, tables, sideboards and other objects of decoration signed by the greatest Portuguese authors and produced in Portugal in the 20th century. Who would’ve thought that this store located as centrally as it is — side by side with Príncipe Real — would stay put in this privileged corner after nearly eight years of prevalence?

Being a family business is not quite the dynamics they’re after, but they could almost adopt this idea, since founders Vítor Paulino and Rui Penedo are graphic designers and partners at rpvp designers – graphic studio, but they’re also cousins. The third element, architect Ricardo Paulino, is Vítor’s brother and, of course, Rui’s cousin as well. «It was Rui who started all of this and got us hooked», Vítor says. «Rui began collecting objects when he was still very young, and the process ended up being very natural. He got me hooked and then I got my brother hooked, and we started buying things. It came to the point when we had filled our grandma’s house, plus a warehouse, someone would let us know they have space and we would take it up. We had a lot of things, so, when we were moving from our old studio, we decided to open the store. But everything was very spontaneous; we love this».

When they opened their doors, the appreciation for what’s Portuguese in its origin and production — and the triteness of the word “vintage”, which they try to avoid since the beginning — was what ended up bringing them into the spotlight in a much bigger way that they expected from the national press. «It happened right on the edge between paying attention only to what’s global and start doing it with what’s local as well. We were lucky with the timing», Vítor explains. Although they sell a collection of international pieces, their core business is Portuguese antique furniture, something that, back then, was not really happening. The most well-known stores in Lisbon, like Zeppelin and Loja da Atalaia, were dealing with imported goods, essentially from Nordic countries. Since the beginning of time, Portugal is a wonderful producer, but lacks when it comes to design — or, in fact, of its esteem and its subsequent consecration. To some extent, one might say: thanks to the fact that Portuguese carpentry workshops didn’t have a lot of means to make what they actually had to make, they were utterly inventive «and there’s quality there, as well», Vítor concludes.

 
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«Chegou a um ponto em que tínhamos a casa dos nossos avós cheia, mais um armazém, alguém tinha um espacinho e nós ocupávamo-lo»

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«It came the point when we had filled our grandma’s house, plus a warehouse, someone would let us know they’d have space and we would take it up»

«Estamos a falar dos anos 50 e 60 e, nessa altura, éramos um país mais fechado ao mundo. A indústria não estava no nível de evolução que já tinha alcançado noutros país e a produção criativa estava mais limitada ao gosto, que era uma coisa muito mais estereotipada por imposição quase legal», refere Ricardo.

A qualidade inata dos objectos que vendem é algo que não se cansam de mencionar, seja pelo designer, pela matéria-prima usada ou até pelo processo de restauro por que passam todas as peças disponíveis na loja: por norma, acrescentam-lhes valor muito por causa da requalificação que fazem questão que aconteça, apesar de não ser feita especificamente por eles, mas por um conjunto de pessoas com um profundo know how de todas as técnicas necessárias para restaurar ou requalificar uma cadeira ou um móvel ao seu estado quase original, algo que se tem vindo a perder no decorrer dos anos. Os nomes, contudo, não foram revelados. «É o segredo do negócio», confidenciam.

Apesar de, hoje em dia, já não comprarem peças como faziam há uns anos, já que o mercado os «obrigou a ser mais cuidadosos na selecção», abrem excepções a um punhado de impulsividade se a peça tiver «um certo nível de raridade ou for de uma qualidade extraordinária de construção».

E o nome, perguntam? Uma amálgama bem pensada que inclui o facto de ser um nome curto, que não existia no mercado, com um lado jovem e um design alusivo aos anos 70, bem como a presença da ideia de exclusividade com o yo que significa “eu” em castelhano. «Procurámos bastante e não foi tão intuitivo como o resto», conta Ricardo. A eternidade também no nome, diríamos.

 

«We’re talking about the 50s and 60s and, back then, we were a country much closed off to the rest of the world. Industry was not at a level that was already in place in other countries and production was limited to taste, which was something extremely stereotyped by almost legal imposition», Ricardo says.

The inherent quality of the objects they sell is something they don’t get tired of mentioning, whether it’s because of the designer, the raw materials or even the restoration process by which every piece goes through: normally, they add value to them because of the revitalisation they insist it happens, though they’re not the ones doing it specifically, but a group of people with deep know how of all the techniques necessary to restore and revive a chair or a dresser to its nearly original state, something that has been being forgotten throughout the years. The names involved, however, were not revealed. «It’s our secret», they disclose.

Although nowadays they don’t purchase pieces like they used to, since the market forced them «to be more careful in their selection», they make exceptions for a hint of impulsiveness if the piece bares a «certain level of rarity to it or is of astounding construction quality».

And the name, you ask? A well-thought-out mishmash that includes the fact that it’s a short name, that didn’t exist on the market, with a young side and a design that alludes to the 70s, as well as the presence of this concept of exclusivity with the yo which means “me” in Spanish. «We researched a lot and it wasn’t as intuitive as the rest», Ricardo confesses. An eternal name as well, we’d say.



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