Underdogs

Underdogs
 

Num piscar repentino de olhos, a plataforma cultural mais interessante e disruptiva em Lisboa está perto de completar seis anos no seu formato actual, que alcançou em 2013 — não sem antes se afirmar como projecto com pernas para andar pelo Alexandre Farto, vulgo Vhils, e Pauline Foessel, seus dinamizadores, directores e derradeiros fundadores da Underdogs como a conhecemos hoje.

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In a sudden blink of an eye, the most interesting and disruptive cultural platform in Lisbon is close to completing six years in its current format, which was attained in 2013 — not before being asserted as a pursuable project for Alexandre Farto, or Vhils, and Pauline Foessel, its facilitators, directors and ultimate founders of Underdogs as we know it today.

 

 
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É no armazém 56 da Rua Fernando Palha, em Marvila, que a Underdogs vive e subsiste desde que o duo forte encontrou o espaço, e desde então que o sucesso e a consolidação no panorama artístico e cultural têm crescido acima do que é considerado comum para qualquer mortal apreciador da dita arte urbana. Os três pilares da Underdogs mantêm-se firmes e com os objectivos bem vincados: a galeria com exposições de artistas nacionais e internacionais; o programa de arte pública, que tem vindo a mostrar à cidade de Lisboa a falta que fazem as intervenções artísticas no coração do espaço urbano; e, claro, um elemento que faz parte da génese do projecto, a democratização da arte em todo o seu esplendor através da mostra e venda de edições originais acessíveis na Underdogs Art Store, no Cais do Sodré, e online.

Num dia quente de um Verão tardio em Lisboa, fomos até à Underdogs para conversar com Pauline, uma das metades originais, acompanhada pelo seu Albert, fiel amigo de quatro patas que nos seguiu até ao fundo da galeria. Desengane-se quem pensa que, nas primeiras horas do dia, antes de abrir as portas ao público, o espaço está vazio e nada se passa: a preparar a sua terceira exposição a solo na Underdogs estava Pedro Campiche, ou AKACORLEONE, com uma equipa incrível a ajudá-lo. 

«Começou por ser apenas uma ideia, e depois essa ideia tornou-se real», afirma Pauline, que começou a sua frutífera carreira como assistente na Magda Danysz Gallery em Paris e, mais tarde, como gerente da mesma galeria em Xangai. «Conheci o Alexandre lá [na galeria de Xangai] em 2012 numa exposição sua. Na altura, falou-me de um projecto que tinha e que queria levar adiante, mas de uma forma mais relevante. Sempre quis dirigir uma galeria, por isso, quando a oportunidade de fazer parte da Underdogs surgiu, não hesitei. Ainda vivi em Xangai durante algum tempo, e depois entre Hong Kong [como Directora de Desenvolvimento da Hong Kong Contemporary Art Foundation] e Lisboa, até me mudar definitivamente. Mas, na nossa cabeça, era suposto durante apenas um ano ou assim. Acho que foi depois de termos encontrado o espaço e da exposição do Miguel Januário (±MAISMENOS±) que concluímos que talvez fizesse sentido continuar».

Underdogs lives and endures at Rua Fernando Palha 56, in Marvila, since the power duo found the space, and since then the success and consolidation of the art and cultural scene have been growing beyond what is considered usual for every mere mortal who’s an aficionado of the so-called urban art. The three pillars are still the same as they were in the beginning and their goals are very much set out: the gallery with exhibitions from Portuguese and international artists; the public art programme, which has been showing the city what we’ve all been missing as far as art interventions in the heart of the urban space are concerned; and of course an element that’s part of the project’s inception, the democratization of art in all its glory thanks to the showcase and sale of accessible original editions at Underdogs Art Store, in Cais do Sodré, and online.

In a hot late summer afternoon in Lisbon, we went to Underdogs to sit and chat with Pauline, one of the original halves, and her loyal four-legged friend, Albert, who followed us to the back of the gallery. Those who think that in the first hours of the day, before they open their doors, is empty and there’s nothing going on, think again: preparing his third solo exhibition at Underdogs was Pedro Campiche, AKACORLEONE, with an incredible team helping him.

«It started as just an idea, and then that idea became real», says Pauline, who began her fruitful career as gallery assistant to Magda Danysz Gallery, in Paris, and later as gallery manager of the same gallery in Shanghai. «I met Alexandre there [at the Shanghai gallery] in 2012 when he was showing there. Back then, he talked to me about a project he was working on and wanted to take further, but in a more relevant way. I’ve always wanted to run a gallery, so when the opportunity came to be part of Underdogs I didn’t hesitate. I still lived in Shanghai for a while, and then between Hong Kong [as Development Director at the Hong Kong Contemporary Art Foundation] and Lisbon, until I moved for good. But, in our minds, it was supposed to last only a year or something. I think it was after we found the space and the Miguel Januário (±MAISMENOS±) exhibition happened that we concluded that it probably made sense to keep it going».

 
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«Começou por ser apenas uma ideia, e depois essa ideia tornou-se real».

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«It started as just an idea, and then that idea became real».

 

E ainda bem que assim foi. Estes 388 metros quadrados já foram presenteados com nomes que têm vindo a mudar o rumo da arte em Portugal — como os que já mencionámos, mas também André Saraiva, Mário Belém, Shepard Fairey, Felipe Pantone, André da Loba, ADD FUEL, Maria Imaginário, Pedrita Studio, Wasted Rita e outros quantos — tanto do lado de quem programa como do lado de quem vê, visita e compra.

«Acho que a percepção do público mudou muito com o tempo. Como actuamos em diferentes secções e áreas, estamos em contacto com públicos muito distintos. Em relação à galeria em si, no início não éramos conhecidos, mas agora já temos um público fiel e também o que passou a gostar — ou não — e a ter uma opinião. Há até casos de coleccionadores que podem não conhecer aprofundadamente os artistas, mas que compram na mesma por confiarem em nós e na qualidade da nossa curadoria».

And we’re glad it happened that way. These 388 square metres were graced with names that have been changing the course of the art scene in Portugal — those we’ve mentioned earlier, but also André Saraiva, Mário Belém, Shepard Fairey, Felipe Pantone, André da Loba, ADD FUEL, Maria Imaginário, Pedrita Studio, Wasted Rita and many others —  both from those who make it happen and those who see, visit and buy.

«I think the public perception has changed a lot with time. Since we’re operating in different sections and fields, we’re in contact with utterly divergent crowds. As for the gallery itself, we weren’t that well-known in the early days, but now we have a loyal audience who also started loving what we show — or not — and having an opinion. There are even cases of collectors that might not know the artists profoundly but buy their art anyway because they trust us and the quality of our curatorship».

 
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