Pensão Amor

Pensão Amor
 

O Cais do Sodré já foi tudo, já foi nada e, há uns anos, voltou a ser um dos centros mais magnéticos de Lisboa. Um dos marcos transformativos deste bairro junto à água foi a abertura da Pensão Amor no final de 2011, que para sempre lhe mudaria a dinâmica noctívaga. São quatro andares que resfolgam a decadência muito própria de outros tempos e que consegue manter este oásis de erotismo, sedução e berloques bem vivo.

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Cais do Sodré was once a lot of things, then nothing, then a couple of years ago it went back to being one of the most magnetic poles in Lisbon. One of the transformative milestones of this neighbourhood a few steps from the water was when Pensão Amor was opened its doors in late 2011, which would forever change its nightly dynamics. We’re talking four floors that exhale a kind of decadence that was happening in olden times and that’s keeping this oasis of eroticism, seduction, and lovely ornaments alive.

 
 
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Outrora uma espécie de ponto de encontro íntimo de marinheiros e prostitutas, corriam os últimos anos do século XIX, esta Pensão continua a receber o mundo sem sair do sítio, hoje em dia. «É uma casa que vai contando uma história, tanto pelos diferentes espaços como ao longo do dia e da noite. Uma das razões que me fez investir nesta área é esta magia que nós tentamos passar às pessoas e esta narrativa que vamos contando e que proporciona uma experiência completamente diferente e que o público adora», conta-nos João Silva, chefe de bar da Pensão Amor e autor de um sem número de cocktails de nomes sugestivos, entre eles os nomes de algumas das meninas originais da altura, e histórias ainda mais exuberantes. Tal como Penélope Alves, produtora de eventos e responsável pela comunicação, João caiu ali «de pára-quedas» e acabou por chegar à posição de hoje após uns anos fora e dentro da Pensão e do país. 

«A ideia não era apenas abrir um espaço com cocktails e vinhos, mas contar a história do Cais do Sodré e da vida boémia que aqui se levava, das meninas que aqui trabalhavam e dos marinheiros – daí o look cabaré e bordel dos anos 20. As pessoas adoram sentir que estão a reviver a mesma experiência que aqui se viveu nessa altura. Paravam aqui centenas de marinheiros e, como uma pessoa que trabalhava connosco costumava dizer, as meninas acabavam por ser quase “embaixadoras da cidade” porque estavam em contacto, pela primeira vez, com relatos vindos de todo o mundo. E é isso que tentamos transmitir às pessoas, que isto não é só uma zona de divertimento, é também um momento de encontro entre culturas e de tudo o que se possa imaginar», continua João.

Qualquer uma das entradas, seja a da Rua do Alecrim, seja a da Rua Nova do Carvalho, será uma ocasião única, uma celebração da boémia: artefactos e obras antigas, muitos objectos vintage, sofás senhorinha e capitoné, bem ao estilo cabaré, quadros de mulheres que seduzem quem para elas olha, paredes pintadas com frases insinuantes e um mundo sem fundo de relíquias visuais que vale a pena explorar com detalhe. «Isto é um museu. Quando as pessoas tentam tocar nas estatuetas ou mudá-las de sítio, por exemplo, temos de dizer que não podem porque, na prática, é mesmo um museu. Também há muita gente que pergunta se as coisas estavam aqui quando nós chegámos e eu costumo dizer que a coisa mais original que aqui está é o chão, que se mantém desde o início, ou então apimento um pouco a história e digo que, por vezes, quando fechamos, ouvimos ruídos a virem lá de cima e as pessoas adoram isto», conta Penélope. 

Once a sort of intimate rendezvous spot for sailors and prostitutes during the last years of the 19th century, this place is still welcoming people from all over the world without leaving its premises. «It tells a story, whether it’s through the different spaces inside or across day and night. One of the reasons that led me to invest in this area is this sort of magic we try to convey to people and this narrative we keep telling that transmits a completely different experience, which everyone loves», says João Silva, bar manager at Pensão Amor and author of an endless number of cocktails with quirky names, amongst which are the names of some of the girls that used to work here back then, and even more boisterous stories. Just as it occurred with Penélope Alves, event producer and communications officer, João just happened to be there at the right time and eventually got to where he is today after working at Pensão Amor and out of the country for a handful of years.

«The idea was not to just open a place where you could drink cocktails and wine, but rather to tell the story of Cais do Sodré and its eccentric nightlife, of the girls that worked here, and the sailors — that’s why we have this cabaret-meets-20s-brothel look. People love to feel that they’re reliving the same experience of those times. Hundreds of sailors stopped here and, as someone that used to work here used to say, the girls were almost like “ambassadors to the city” because they were making contact, for the first time, with stories coming from all over the world. And that’s what we try to disclose to people, that this is not just a fun area, but also a meeting between cultures and everything you can imagine», he tells us.

Regardless of which entrance you choose, whether it’s Rua do Alecrim or Rua Nova do Carvalho, the feeling will be the same kind of celebration, an unique occasion: artefacts and ancient artwork, a number of vintage objects, lovely traditional, cabaret-style chairs, paintings of women seducing those who look at them, walls painted with provocative sayings and a world of visual relics that are worth a thorough exploration. «This is a museum. When people try to touch the statues or move them, for instance, we have to say they can’t because it is, in fact, a museum. There is also a lot of people asking if things were like this when we got here and I usually say the most original thing here is the floor, which is actually the same from the beginning, or I try and spice it up a little bit and tell them that sometimes, when we’re closing up, we can hear noises upstairs, and people absolutely love this», Penélope says.

 
 
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«Paravam aqui centenas de marinheiros e, como uma pessoa que trabalhava connosco costumava dizer, as meninas acabavam por ser quase “embaixadoras da cidade” porque estavam em contacto, pela primeira vez, com relatos vindos de todo o mundo»

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«Hundreds of sailors stopped here and, as someone that used to work here used to say, the girls were almost like “ambassadors to the city” because they were making contact, for the first time, with stories coming from all over the world.»

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Durante o dia é mais calmo. À noite, a festa vem ao de cima e a carta de cocktails tem a saída que merece. Mas há muito mais para fazer aqui: «o “Alice no País dos Bordéis” foi um espectáculo de teatro pontual que, apesar disso, durou cerca de cinco meses. Foi o mais longo que tivemos até hoje, pois, usualmente, dedicamo-nos a concertos — tentamos dar voz e espaço a novos projectos, principalmente portugueses, de jazz e outros estilos —, espectáculos de burlesco, pole dance, dança, qualquer coisa, sempre subjacente a este tema do burlesco que faz parte da casa», completa Penélope. Espalhados pelos quartos desse mesmo piso há também uma boutique erótica, a Purple Rose, a livraria Ler Devagar com Amor e um estúdio de pole dance. 

«Acho que, inicialmente, a Pensão Amor teve um papel muito importante porque o Cais do Sodré estava um pouco abandonado, era uma zona mais complicada, marginal. A abertura da Pensão Amor veio dar uma nova vida aqui ao bairro e ao prédio em si; foi a primeira âncora, uma lufada de ar fresco. E trouxe não só clientes como inquilinos aos quartos dos pisos superiores, que podem ser alugados ao dia, à semana e ao mês por projectos diferentes», concluem. 

It’s calmer during the day. At night, it’s time to party and the cocktail menu is being passed on around just like it should. But there’s a lot more to do here: «the show “Alice no País dos Bordéis” was a theatre play that lasted for about five months, but this was a one-time thing only. It was also the longest-running play we’ve ever had, as usually we try to do things like concerts — and give voice and space to new projects, particularly Portuguese, like jazz —, burlesque shows, pole dance, dance, anything, as long as the theme is always the burlesque», Penélope adds. Spread through other rooms on that same floor are Purple Rose, an erotic boutique, Ler Devagar com Amor bookstore and a pole dance studio.

«I believe that, in the beginning, Pensão Amor had a very significant role because Cais do Sodré was kind of left out, it used to be a tough neighbourhood, an outcast. When Pensão Amor opened, a new life was giving to the building and the area; it was the first foothold, a breath of fresh air. And it brought along not only customers, but new tenants to the upstairs rooms, which can be rented daily, weekly or monthly to different projects», they conclude.

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