Lavandaria
 

Foi em 2015 que uma lavandaria se transformou, por meio de magia, num atelier dedicado à impressão em serigrafia e outras artes das mãos ligadas à ilustração e à criação. Mariana, Marta e Rafael são o trio que mantêm esta Lavandaria de porta literalmente aberta ao público e ao bairro.

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It was in 2015 that a laundry transformed, by way of magic, in a studio devoted to silkscreen printing and other crafts of the hands relating to illustration and creation of sorts. Mariana, Marta and Rafael are the triad that keeps this Lavandaria with its door literally open to the public and the neighbourhood.

 

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«Não foi um projecto desenhado com intenção de ser um negócio desde o início. Na altura, éramos um grupo de cinco amigos designers que queria um espaço para trabalhar com as mãos, pois passávamos as nossas vidas à frente do computador. Encontrámos uma lavandaria [a original, umas ruas ao lado do espaço actual] com o letreiro antigo e tudo, e ficou. Quando o projecto começou a ganhar pernas para andar, tentámos dar-lhe outro nome, mas não valia a pena, já toda a gente lhe chamava Lavandaria», conta Mariana Fernandes que, no início, dividia o seu tempo entre Lisboa e Treviso, em Itália, onde trabalhava na Fábrica Features da Benetton.

Marta Teixeira da Silva começou desde logo a dedicar-se exclusivamente à Lavandaria com a sua eterna paixão pela serigrafia, cujos pedidos e encomendas começaram a crescer em barda, e foi aí que o espaço se tornou demasiado pequeno para tanto que ali nascia. Mudaram-se para um outro atelier no mesmo bairro das Janelas Verdes, mas que já não dizia “lavandaria” — aqui o nome já estava completamente adoptado, por isso, visualize-se um letreiro imaginado.

Na nossa visita, a luz inimitável de um dia soalheiro entrava avantajadamente no atelier e derramava sobre as paredes cobertas de impressões de ilustradores, posters de filmes, postais, oposta à mesa de serigrafia, imponente, a estrela da casa. Preparava-se aqui uma edição muito especial da Livraria Plutão, um outro projecto criado pela Lavandaria em colaboração com Luís Leal Miranda, de nome “As Letras Secretas do Alfabeto”, lançado em Novembro do ano passado.

«This wasn’t a project thought out with the intention of being a business from the beginning. Back then, we were just a group of five friends who are also designers and wanted a space to work with our hands, since we spent every breathing second in front of a screen. We found a laundry place [the original one, a couple of streets close by the current studio] with the old sign and everything, and it stuck. When the project started becoming a fully-fledged business, we tried to name it something else, but it wasn’t worth, as everyone was already calling it Lavandaria», tells Mariana Fernandes, who at first was dividing her time between Lisbon and Treviso, Italy, where she worked at Benetton’s Fabrica Features.

Marta Teixeira da Silva started working exclusively at Lavandaria right away with her everlasting passion for silkscreen printing, with requests and orders that were abundantly growing, and that was when the space got too small for everything that was happening there. They moved to another studio right there in the same Janelas Verdes neighbourhood, but which no longer spelled “lavandaria” — at this time, the name was completely embraced, so just picture an imaginary sign. 

When we visited, the unmatched light of a sunny day found her wholesome way into the studio and threw itself onto the walls covered in prints from illustrators, film posters, postcards, opposite to the silkscreen printing table, magnificent, the star of the house. A very special edition was being prepared for Livraria Plutão, another project created by Lavandaria in collaboration with Luís Leal Miranda, called “As Letras Secretas do Alfabeto” (The Secret Letters of the Alphabet), released in November of last year.

 
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«É um grande privilégio podermos fazer estas coisas e investirmos o nosso tempo e esforço em pessoas que se envolvem connosco e que confiam em nós»

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«It’s a wonderful privilege to be able to do all of this and invest our time and effort in people that like to get involved and trust our work».

 

Sem dúvida que a ideia de colaborar é alimentada diariamente por ambas. Até com Rafael Lourenço, o outro terço do projecto, que divide actualmente o seu tempo entre a construção das suas caixas de luz com ilustrações antigas na Lavandaria e o vivóeusébio, um colectivo de designers que nasceu na Faculdade de Belas-Artes — onde também (se) conheceram Mariana e Marta — e cuja máquina de risografia é uma «boa desculpa» para trabalharem uns com os outros.

Apesar de o propósito dos primórdios não se assemelham sequer ao que têm hoje, a verdade é que a Lavandaria foi, aos poucos, angariando clientes, admiradores e seguidores que, com este ou aquele desígnio, a colocaram num patamar jeitoso de projectos. As colaborações com ilustradores, artistas e designers continuam a ser o grande impulsionador de tudo isto. Começaram o seu caminho, por exemplo, com impressões para o ilustrador Tiago Galo ou a curadoria da exposição colectiva “Depois do Vulcão” para o Walk&Talk, nos Açores. Depois destes e de outros, a Lavandaria ficou sem mãos a medir, principalmente porque o seu método não se limita só ao acto de impressão, mas a todo o processo, quando assim lhes é encomendado: «gosto muito desses trabalhos, os que vão desde a parte do design até à parte de produção; dá para fazer tudo. Ter a garantia de saber como é que as coisas vão ser produzidas e já pensar nas coisas de forma a conseguirmos fazer tudo do início ao fim, e ter a capacidade de fazer tudo, é fantástico».

Os dias na Lavandaria são sempre muito diferentes — e é assim que tem de ser. «Normalmente, estamos a fazer vários projectos ao mesmo tempo, todos em fases diferentes. Há uns que estão a ser desenhados e outros que estão a ser pré-produzidos, ou seja, é preciso encomendar papel ou cortar papel ou comprar a tinta, enfim, essa parte da organização antes de se passar à impressão. Depois há projectos que demoram bastante tempo a imprimir e outros que são mais rápidos, mas que podem requerer uma fase de acabamento que inclua cortar, dobrar ou pintar», partilha Marta, que também adora trabalhar com ilustradores por serem essencialmente projectos demorados e que continua a dar sempre gozo. «Isto é cor a cor. Depois vais construindo, camada a camada, até aparecer uma imagem final, e eu continuo a gostar muito deste processo. Já gosto disto há muito tempo», remata.

Trabalhar em projectos de pequena escala e cuidados são os chamarizes inalteráveis de ambas. «É um grande privilégio podermos fazer estas coisas e investirmos o nosso tempo e esforço em pessoas que se envolvem connosco e que confiam em nós».

There’s no question that the idea of collaborating is nourished by both every day. Even with Rafael Lourenço, the other third of the project, who shares his time between building its light boxes with old illustrations at Lavandaria and vivóeusébio, a collective of designers that was born Faculty of Fine Arts in Lisbon — where he met Mariana and Marta as well — and whose riso printing machine is the «best excuse» to work with each other.

Although the purpose of those first years are nothing compared to what they’re doing today, the truth is that Lavandaria has been slowly raising clients, admirers and followers who have brought it up to a nice threshold of projects. Collaborating with illustrators, artists and designers is still the key driver for all of this. They started their journey, for instance, with the illustrator Tiago Galo or the curation of the collective exhibition “After the volcano” for Walk&Talk, in the Azores. After these and others, Lavandaria had its hands full, mainly because their method isn’t just about the printing itself, but the entire process, when it happens: «I really enjoy these projects, those that go from the design part to the production part; we do it all. Having the guarantee of knowing how things are being produced and think about the things in a way that is our way from beginning to end, and having the ability to do it all, it’s just amazing».

Days spent at Lavandaria are always different — and that’s how it’s supposed to be. «Usually, we are doing several projects at the same time, all of those are in different stages. There are some that are being designed and others that are being pre-produced, meaning we have to order paper or cut paper or buy ink, you know, that part of taking care of everything before printing. Then there are those kinds of projects that take forever to print and others that are faster, but that might demand a finishing phase that includes cutting, folding or painting», Marta shares, who also loves to work on projects with illustrators, as they tend to take a long time, which is the best part. «This is like one colour at a time. Then you start building it, layer by layer, until the final image appears, and I still absolutely love this process. I’ve been loving it for a long time now», she says. 

To work in small-scale, incredible projects is still the undying honeypot for them: «It’s a wonderful privilege to be able to do all of this and invest our time and effort in people that like to get involved and trust our work».

 
 
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